Era uma rainha e eu servia-a, não por amor, mas porque ela assim o desejava. Deus nos livre dos desejos de uma mulher! (…)
Esta é a história de uma mulher extraordinária, Emília de Sousa, aliás Rosalina de Sousa, aliás a Baronesa da Madalena do Mar, aliás a “Boal de Cheiro”, aliás ”a cabrita”, e, por fim, de novo, a grande Emília de Sousa, a maior actriz que o teatro português conheceu nos finais do séc. XIX. Prostituta aos 15 anos no bordel da D. Antónia, em Lisboa, bela como ninguém e possuidora de um “olhar genial”, transformada em actriz de grande talento, apesar de ser analfabeta, pelo seu protector, o velho e perverso Visconde de Almeida Garrett, que se admite ter escrito para ela “A sobrinha do Marquês”. Destruidora de corações, ao fim de um par de anos de prostituição e de teatro, abandonou a promissora carreira para se casar com uma dos mais ricos herdeiros da Ilha da Madeira, que por ela cegou de paixão. Rosalina de Sousa, transformada em Baronesa, e perfeitamente “camaleónica”, conseguiu ser confundida com o ícone de maior beleza da Europa do séc. XIX, a imperatriz Elisabeth de Áustria, a bela Sissi, com quem partilhou as atenções e os espaços da classe privilegiada da famosa ilha atlântica. |